“Afinal, diante de um cenário e de uma plateia atônita e ainda às voltas com uma sinfonia que ainda não dá sinais claros de encontrar uma harmonia envolvente, aquela tão aguardada pelo público – empresas em sua grande maioria – que tantas surpresas nos reservam estes 5 Tenores? E quem são eles?”

Joseph Schumpeter

11Curioso este mundo dos Negócios. Se nos aventurarmos mais a fundo no Túnel do Tempo, vamos nos deparar com um economista austríaco, Joseph Schumpeter, que num livro publicado em 1942 – “Capitalismo, Socialismo e Democracia” – já descrevia a tão badalada e discutida Inovação natural em uma economia de mercado, e assinalava que novos produtos destroem empresas velhas e antigos modelos de negócio. E tanto temos lido e discutido na atualidade sobre a necessidade de revermos nossos Modelos. Mas por que destruição? Por que criativa? Segundo Schumpeter, os empresários inovadores são a força motriz do crescimento, fazendo com que todo o equilíbrio estabelecido até então seja destruído, ditando e abrindo espaço para a criação, para o novo, para o diferente; enfim, que o espírito inovador vingue.

Pois é… então estamos falando de um escrito com mais de mais de 70 anos?

Theodore Levitt

E pensar que nos idos dos anos 60 iríamos nos deparar com um belo artigo de Theodore Levitt – um economista alemão – também publicado pela HBR, intitulado: “A Miopia em Marketing”. E ele de certa forma condenava e alertava para uma prática errada utilizada por muitos até os dias de hoje: “… de se concentrar o foco nos produtos ao invés de nos Clientes…” quando em muitas circunstâncias o ambiente externo lhes é favorável a esta mudança na visão, mas elas não se dão conta disso. Através deste artigo, ele busca, através de exemplos, alertar empresas e organizações sobre o risco de só terem olhos para seu produto, e a necessidade de vender e vender, ao invés de buscarem entender as reais necessidades do mercado, de seus Clientes através de iniciativas e ações corretas de Marketing.

Michael Porter

E o que dizermos do Diamante de Porter? Ou de seu artigo publicado em 1979 na Harvard Business Review (HBR) – “As cinco forças que moldam a estratégia” ?

Há mais de 35 anos ele alertava executivos e gestores para a necessidade de se empenharem em desenvolver uma estratégia empresarial eficiente, para fazer frente às 5 forças competitivas e que desafiam e destroem o aparente equilíbrio do mercado ou de um segmento específico. E hoje, este tema bem atual expões mazelas e deficiências das empresas em lidarem com:

  1. A rivalidade entre os concorrentes,
  2. O Poder de barganha dos Clientes,
  3. O poder de barganha e de negociação dos fornecedores,
  4. A ameaça de produtos substitutos,
  5. A ameaça da chegada de novos concorrentes.

Michael Hammer

Um dos responsáveis por cunhar a expressão reengenharia de processos de negócio, Michael Hammer já em 1990 questionava a utilização errada ou precipitada dos recursos da Tecnologia da Informação para automatizar processos de negócio, arcaicos segundo ele. Em seu artigo publicado em julho/agosto de 1990 na HBR: “Reengineering Work, Do not Automate, Obliterate” – (Reengenharia do Trabalho: Não Automatize, Descarte e Comece do Zero) ele, com toda razão e com um entendimento e visão privilegiados, alegava que o potencial e os recursos da Tecnologia deveriam ser usados na ajuda da definição de novos processos de trabalho.

E, numa alusão a esta sua linha de raciocínio deixou para nós uma frase bem atual para os dias de hoje, e que com toda certeza dá bem a dimensão de sua preocupação:

“It is time to stop paving the cow paths. Instead of embedding outdated processes in silicon and software, we should obliterate them and start over. We should ‘reengineer’ our businesses: use the power of modern information technology to radically redesign our business processes in order to achieve dramatic improvements in their performance.”    

Já é tempo de pararmos de pavimentar a trilha do gado. Ao invés de transferirmos processos arcaicos para dentro da tecnologia, deveríamos nos desfazer deles e começar tudo de novo. Precisamos fazer a reengenharia de nosso negócio: usar o poder da moderna Tecnologia da Informação para redesenhar radicalmente nossos processos de negócio a fim de obtermos melhorias dramáticas em sua performance.

Podemos depreender daí que se tratava de algo bem mais arrojado e agressivo do que a “Melhoria Contínua dos Serviços” (CSI) apregoada mais tarde nos escritos da Biblioteca ITIL.

Steve Jobs

E por último, entendo que ser bastante óbvio para todos que a presença de Steve Jobs entre os Tenores se faz mandatória. Afinal, se pararmos para analisar o que Steve Jobs realizou e disponibilizou para o Mundo na primeira década deste século foi algo bastante Inovador, e que, ao mesmo tempo, trazia nuances do que foi apregoado pelos Tenores já mencionados. Senão vejamos:

– segundo o raciocínio de Schumpeter, com seu espírito inventivo ao disponibilizar os primeiros “smartphones” dava provas do impacto da destruição criativa perante o mercado de telefonia celular;

– segundo o raciocínio de Theodore Levitt, dava mostras efetivas da Miopia em Marketing que proliferava no mercado, ao perceber que os Clientes clamavam por algo na área de entretenimento musical, e que não precisavam ficar presos aos famosos CD’s e DVD’s ou a seus aprimoramentos técnicos. E surpreendeu a todos com o iPOD, e sua incrível capacidade de armazenamento de músicas.

“Que tal armazenar mais de 1.000 músicas no bolso de sua camisa?” como ele surpreendeu a plateia no anúncio do iPOD?

– na linha do que apregoava Michael Porter e seu diamante das 5 Forças, vislumbrou um segmento de mercado bem diferenciado da concorrência – um Verdadeiro Oceano Azul – através da Inovação, seja com seu iPOD, seja com os smartphones que em verdade deixaram de ser considerados um bem com seu valor, com sua utilidade, e passaram a ser considerados um objeto de desejo pela maioria esmagadora das pessoas.

– a se tomar pelos escritos e o raciocínio de Michael Hammer, definitivamente ele inovou em termos de reengenharia de processos, além de ter provocado mudanças radicais nos produtos e na tecnologia dos processos de fabricação.

Gostaria de me deter um pouco mais em Steve Jobs relembrando uma pequena citação de profundo significado proferida em seu discurso na Universidade de Stanford: “connecting the dots; you can not connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards” – conectando os pontos; você não consegue conectar os pontos olhando adiante, você somente consegue conectá-los olhando para o passado.

Independente das muitas interpretações que podemos dar a ela, prefiro lançar mão da seguinte abordagem: coincidentemente, a partir de pontos importantes dos escritos e pensamentos dos demais Tenores no passado ele definiu e seguiu a trajetória para si e para a Apple. Senão vejamos:

– com suas soluções criativas no segmento de entretenimento e de telefonia móvel, provocou uma remexida significativa na concorrência fugindo da Destruição Criativa de Schumpeter, e da Miopia em Marketing de Levitt, e exigindo esta postura de muitas empresas para que permanecessem no mercado;

– definitivamente seus lançamentos deixaram de ser lançamentos de produtos, e sim de objetos de desejo, sempre trazendo multidões para o Dia D.

Um de seus maiores legados está contido em uma frase simples e curta:

Sempre questione o “status quo”

Infelizmente, com seu falecimento em 5 de outubro de 2011, o Mundo amanhecia menos redondo, o Mundo amanhecia menos Maçã.

Rui Natal

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